Mínimo impacto no ambiente de montanha

A Serra da Mantiqueira é considera uma região estratégica para a proteção da biodiversidade brasileira. Detém uma das grandes reservas de água do planeta, tanto em sua qualidade como quantidade disponível para uso. O espigão central da Serra da Mantiqueira é considerado Zona Núcleo (destinada à proteção integral da biodiversidade) da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (MMA/IBAMA, 2005), denotando que essa região trata-se de uma das mais importantes para a preservação.

Além das características ambientais que indicam necessidade de proteção, a existência de atrativos potencializa os usos da região especialmente para o desenvolvimento de atividades ao ar livre, como é caso do turismo ecológico e rural. Neste contexto, a TMTQ produz um impacto positivo na região no sentido de prover ações para a ocupação territorial sustentável por meio do ecoturismo.

Uma grande preocupação é saber como conciliar a promoção de esportes de montanha para recreação e crescimento pessoal com a promoção de desenvolvimento social, compreensão cultural e consciência ambiental. Nesse sentido, algumas iniciativas vêm sendo tomadas para difundir boas práticas em ambientes naturais.

A "Declaração do Tirol" sobre a Melhor Prática em Esportes de Montanha, promulgada pela Conferência sobre o Futuro dos Esportes de Montanha em Innsbruck,  capital do estado de Tirol, na Áustria, em 8 de setembro de 2002, contém um conjunto de valores e máximas que proporcionam uma orientação sobre a melhor prática em esportes de montanha. Aqui no Brasil, o MMA lançou uma cartilha: Conduta consciente em ambientes naturais, composta por oito princípios que estão sendo adotados por pessoas do mundo inteiro, no intuito de evitar a poluição e a destruição das áreas frequentadas, proteger o meio ambiente e evitar acidentes2.

Outra iniciativa regional é o Projeto MantiqueiraBem (#MantiqueiraBem) que lançou uma cartilha para difundir boas práticas em ambientes de montanha, visando minimizar os impactos relacionados às atividades na natureza.

Fica a pergunta então: como reduzir ao máximo a degradação causada pela nossa presença, considerando o tamanho do fluxo de pessoas nas temporadas de atividades na montanha? Para isso, a Associação Trilha Transmantiqueira elencou algumas atitudes individuais que são essenciais para minimizar o impacto sobre áreas naturais e contribuir para a conservação e preservação deste ecossistema tão frágil e de grande relevância ambiental, por onde essa Trilha de Longo Curso atravessa:


_ Muito Cuidado ao lidar com o fogo


Existem fogareiros e diversas maneiras de lidar com o fogo de forma controlada. Cuidado com as fontes combustíveis no entorno, não queime nenhum material, resíduos prejudicam o solo, o ar e a água. Incêndios florestais são umas das maiores causas de perda de biodiversidade em campos de altitude.


_ Leve seu lixo


Nosso lixo é nossa responsabilidade, recolha todo o seu lixo e dê o correto descarte quando chegar à cidade. Papel higiênico também deve ser recolhido, a natureza local não é capaz de eliminá-lo, principalmente em áreas de altitude onde o processo de degradação é mais lento. O mesmo vale para frutas e resíduos considerados orgânicos, pois além da lenta decomposição atraem a fauna local e facilitam a introdução de espécies exóticas, que podem se tornar invasoras. Se possível, carregue o lixo deixado nestas áreas. Seja um guardião da Mantiqueira.


_ Não retire nada do local


Não arrancar plantas, pegar ou matar animais, cada uma destas espécies tem uma função ecológica dentro deste ecossistema, além disso, muitas espécies estão em processo de extinção em função dessas práticas.


_ Não alimente a fauna silvestre


Alimentar animais silvestres os atrai para perto das trilhas e áreas antrópicas, os deixando vulneráveis à caçadores. Esta prática gera desiquilíbrio da cadeia alimentar local e nos processos de dispersão e polinização de espécies nativas, processos fundamentais para a manutenção do ecossistema local.

Interfere também no processo de reprodução das espécies, uma vez que quando se tem comida fácil, os animais gastam menos energia para procurar alimentos e investem no aumento de sua população. Outro ponto importante é que muitos destes alimentos são prejudiciais para o organismo destes animais, podendo gerar infecções alimentares e epidemias em suas populações.


_ Use produtos biodegradáveis


Muitos produtos que usamos na montanha, como protetor solar, pasta de dente, repelente, sabão,  detergentes,  dentre  outros,  são  extremamente  poluentes  para  a água  e o  solo. Priorize produtos naturais biodegradáveis que geram menos impactos em ambientes naturais.


_ Caminhe sempre na trilha principal


As trilhas funcionam como área de sacrifício em regiões preservadas, pois evitam o pisoteio desnecessário da vegetação autóctone. Além disso, sair da trilha é o principal motivo das pessoas se perderem.


_ O que fazer com as nossas necessidades fisiológicas?


A situação de lixos e fezes nas trilhas na Serra da Mantiqueira apresentam nível alarmante por causa da superlotação e do excesso de pessoas em determinados períodos do ano. São encontradas fezes e papel higiênico no entorno das trilhas, que geram além da sensação desagradável e do mal cheiro, a contaminação de nascentes de rios e águas antes potáveis como consequência do transporte das fezes pela água da chuva.
 

Cavar um buraco poderia evitar que os organismos causadores de doenças se propaguem por via humana, animal ou por águas torrenciais e que acabem em águas de superfície próximas. Porém, os ambientes de montanha são extremamente frágeis, possuem solo raso, áreas com erosão e temperaturas baixas onde a atividade bacteriana do solo é praticamente nula, além disso, dependendo da quantidade de pessoas na trilha ou num acampamento, o ecossistema não consegue absorver todos os dejetos, por isso devemos tirá-lo de lá.

Então o que fazer? A exemplo de diversos parques pelo mundo, no Brasil algumas unidades de conservação vem adotando o shit tube, um equipamento feito de tubo de PVC e cal para que a pessoa possa recolher suas fezes, carregá-las consigo sem sofrer com o odor, para posterior descarte em local apropriado. Veja como fazer o seu shit tube em: http://mantiex.com.br/shit_tube.

Dentro dos limites da TMTQ, o Parques Estadual da Serra do Papagaio (PESP) e Parque Nacional de Itatiaia (PNI) estão implementando a obrigatoriedade do uso desse equipamento. Essa prática vem tornando-se cada vez mais comum entre empresas de ecoturismo e montanhistas mais conscientes.

Nós, voluntários na implementação da Trilha Transmantiqueira, recomendamos que levem esse equipamento durante suas caminhadas na Serra da Mantiqueira. De baixo custo e fácil confecção, é um forte aliado contra a poluição crescente em nossas trilhas.

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